Presidente Figueiredo implanta programa inédito de recomposição da aprendizagem para alunos da rede municipal

Objetivo do programa Kinja (autodenominação waimiri atroari), inédito no Amazonas, é ajudar a superar as perdas de aprendizagens de alguns alunos, ocorridas durante os dois anos de pandemia

A prefeitura de Presidente Figueiredo lançou nesta terça-feira (30/05), o Programa Municipal Kinja de Recomposição de Aprendizagem, idealizado pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) com objetivo de superar as  perdas de aprendizagens dos alunos das escolas municipais, alfabetização e ensino fundamental, ocorridas ao longo dos últimos dois anos de aulas remotas, durante a pandemia da covid-19.

O nome do programa é uma homenagem ao povo Waimiri Atroari, que se autodenomina Kinja. O termo significa “gente de verdade”. Os Waimiri Atroari são originários de Presidente Figueiredo e durante a construção da BR 174 foram praticamente dizimados.

Para dar início à execução do programa, um grupo de 87 professores da rede municipal de ensino está participando de curso de formação, ministrado pelo Instituto Gesto, uma organização sem fins lucrativos, criada e mantida pela Fundação Lemann a partir de uma evolução do programa Formar, programa de aprimoramento da gestão pedagógica e administrativa, com a consultoria da Elos Educacional. A formação dos professores segue até o dia 2 de junho.

De acordo com a coordenadora pedagógica da Semed, Maria Rutiene Santarém Carneiro, cerca 800 alunos da alfabetização e ensino fundamental 1 e 2, serão atendidos pelo programa, este ano, com aulas no contraturno escolar, de língua portuguesa e matemática, que são disciplinas base da formação acadêmica.

O foco é garantir a construção de conhecimentos que ajudem a desenvolver competências e habilidades de acordo com o ano escolar em que os alunos estão matriculados.

Rutiene Carneiro explica que, ao contrário da recuperação, a recomposição de aprendizagem é um conceito recente, que surgiu como resposta ao déficit no ensino causado pela pandemia. Essa prática reúne um conjunto de estratégias em diferentes aspectos da vida escolar, que visam reduzir os danos causados pelo fechamento das escolas, durante a crise sanitária e colocar todos os alunos “na mesma página”, no que se refere à aprendizagem. Além disso, esse método promete mais eficácia em outras frentes, como o combate à evasão escolar e a melhora na saúde mental de estudantes e professores.

Rutiene Carneiro explica que, durante a formação, os professores vão conhecer as etapas do programa e metodologia utilizada para o desenvolvimento das aulas; compreenderão o papel da avaliação diagnóstica e a relação com o planejamento das aulas; conhecerão os instrumentos de coleta de dados, a importância da análise dos dados; os critérios para a progressão dos estudantes entre os níveis de aprendizagem, entre outras atividades.

O programa municipal Kinja de Recomposição de aprendizagem utiliza a metodologia Aprendizagem em Nível Adequado (ANA), um dos instrumentos do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que avalia os níveis de alfabetização e letramento em língua portuguesa, a alfabetização em matemática e as condições de oferta do ciclo de alfabetização das redes públicas.

“Ter a aprendizagem no nível adequado é o que toda escola deseja para os seus estudantes. Entretanto, com a pandemia, o déficit de aprendizado dos alunos aumentou e, para combater este cenário, a Semed, em parceria com o Instituto Gesto, construiu Plano Municipal de Recomposição de Aprendizagens nas escolas municipais de Presidente Figueiredo”, destaca Rutiene Carneiro.

Fotos: Tamyres Cunha (Dircom-PF)